01 novembro 2010

SEMPRE CORA

MEU PAI
In Memoriam


Meu pai se foi com sua toga de Juiz.
Nem sei quem lha vestiu.
Eu era tão pequena,
mal nascida.
Ninguém me predizia - vida.
Nada lhe dei nas mãos.
Nem um beijo,
uma oração, um triste ai.
Eu era tão pequena! ...
E fiquei sempre pequenina na grande
falta que me fez meu pai.


Em Cora Coralina, Meu livro de Cordel. São Paulo, Global, 1996. p. 103.

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